Confira como é viajar de avião com cães e gatos e prepare-se para incluir seu Pet na próxima viagem

Vai mudar de país ou fazer uma viagem de avião e deseja incluir o seu amigo de quatro patas? Cachorros e gatos podem embarcar com você, basta se atentar para algumas regras da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e da companhia aérea contratada.

Viajar de avião com animais de estimação para destinos nacionais e internacionais exigem documentações específicas. Em destinos nacionais, é necessário apresentar a carteira de vacinação e um atestado de saúde do animal. Já em viagens internacionais, o cachorro ou gato deve passar por uma consulta com um veterinário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo a ANAC, o transporte de animais domésticos, como cães e gatos na cabine junto com os passageiros fica a critério da Companhia Aérea. Caso seja aceito, o transporte deve ser feito com segurança, em compartimento apropriado, sem causar desconforto aos demais passageiros.

É muito importante obter também informações sobre as regras federais do país de destino, para evitar qualquer problema na hora do desembarque. Além disso, não esqueça de consultar a empresa aérea antes de comprar suas passagens, pois algumas aeronaves limitam a quantidade de animais por voo.

A família inteira de Marciel Peres, Produtor de Conteúdo Digital, se mudou em março deste ano para Michigan, nos Estados Unidos. Sua esposa Graziele Gois Peres, compradora, recebeu uma proposta da empresa para mudar de país. Eles juntaram seus dois filhos, Paulo Gois Peres, de 3 anos; e o peludo e bagunceiro Feijão Gois Peres, de 7 anos e embarcaram para América do Norte.

Diferente do que imaginavam, o processo para incluir o cachorrinho na viagem, um Daschund, o famoso “salsicha”, foi difícil e burocrático. Primeiro veio a dificuldade em decidir entre despachá-lo ou levá-lo como bagagem de mão. Pelo comprimento do Feijão, o mais correto seria despachá-lo como carga, porém o alto custo e as inúmeras documentações necessárias fizeram a família arriscar em levá-lo na cabine.

Para levar seu cachorro junto com você, mesmo na cabine, é necessário ter todas as documentações dele em dia (vacina, castração, registro), sendo que a vacina tem que ter sido dada pelo menos 15 dias antes da viagem. Além de atestado médico e CVI (Certificado de Veterinário Internacional), devidamente preenchido.

Para agendar a confecção do CVI, no Ministério da Agricultura, é preciso ter a data da sua viagem definida e as passagens compradas. O documento tem validade de apenas 5 dias.

“Minha viagem estava marcada para um domingo pela manhã, consegui com muito custo agendar no Ministério da Agricultura a confecção da documentação para última sexta-feira, antes da viagem. Ou seja, tudo tinha que estar perfeito! Porém, após realizado esse processo, no sábado pela manhã, dia no qual eu deveria apenas retirar o certificado, recebi a ligação de que a vacina antirrábica estava vencida. Na verdade a veterinária deu uma pequena rasurada na data da validade da vacina, o que causou confusão. Por fim tive apenas um dia para resolver esse problema, perdi o sábado inteiro, mas graças aos profissionais do local consegui a documentação e embarcamos sem mais imprevistos”, explica Marciel, que morreu de medo em pensar que teria que deixar o Feijão no Brasil, por tempo indeterminado.

Já a brasileira Deborah Esther Morabia, produtora audiovisual e de conteúdo, teve que optar em despachar sua grande companheira de quatro patas. Ela concorda que incluir um animal em uma viagem de avião é burocrático e ainda falta informação para facilitar o entendimento dos turistas. Ela mudou de São Paulo para Buenos Aires, na Argentina, com sua pequena Tiki, nome inspirado na da palavra Hatikva, que quer dizer esperança em hebraico .

Deborah passeando com sua fiel companheira Tiki

“Quando viemos viver em Buenos Aires, a Tiki veio na caixa de transporte, no bagageiro do avião. Fizemos todos os trâmites de saúde: atestado veterinário, certificado da secretaria da agricultura, etc. É um processo trabalhoso por falta de informação. Uma vez que sabemos todas as informações, o processo caminha naturalmente”, afirma Deborah.

Porém, em outra viagem que realizou de volta para São Paulo, quando foi fazer uma visita para sua família, Deborah se sentiu muito mal em ter que despachar novamente a Tiki no bagageiro. Foi então que uma funcionária da Qatar a ensinou a procurar por um programa denominado “Emotional Dog Care”, que é um tipo de documento que comprova a necessidade da pessoa estar sempre próxima ao seu animal de estimação, por questões emocionais. Com essa documentação é autorizado transportar o cachorrinho na cabine do avião, sem ter que despachá-lo.

“Quando cheguei à SP, a 1a coisa que fiz foi providenciar a documentação. Fui à um psiquiatra, contei a história da minha vida e das cachorras que tive durante minha vida e saí com um atestado de dependência emocional do meu animal. Isso me propiciou poder levar a Tiki na cabine do avião, junto comigo, sem ter que estar enfiada na caixa de transporte. Isso mudou a minha vida. Viajar de avião passou a ser algo prazeroso pois eu voo com meu anjo”, se emociona Deborah ao lembrar de como a cachorrinha se comporta muito bem em todas as viagens.

A ilustradora Isabela Quintes, não encontrou dificuldades para viajar de avião com sua cachorra. Alice, uma Cavalier King Charles Spaniel, de dois anos, está presente em todas as viagens que Isabela e seu marido fazem, seja de carro, trem ou avião.

Família sempre reunida. Isabela junto com seu marido e sua filha de quatro patas Alice

Recentemente a família viajou de avião, da Espanha, onde moram, para o Brasil, visitar os familiares. Segundo Isabela, a viagem com duração de 11 horas foi bem sossegada e os tramites para o embarque foram emitidos sem muita preocupação.

“Como Alice nasceu na Europa, não foi tão difícil viajar com ela pois fizemos todos os trâmites na Espanha. Também é obrigatório implantar um chip no animal, ali terão todos os dados do dono dele. Fora isso, a lei muda em cada país. Na Europa, para entrar ou sair com um animal, todo animal que viaja precisa ter passaporte. É como se fosse a carteirinha de vacinação, ali devem conter todos os dados e as vacinas que ele tomou. Também é necessário um atestado veterinário contando que o animal foi desparasitado e vermifugado antes da viagem; e que está bem de saúde, além disso deve-se aplicar a vacina antirrábica, coletar o sangue do animal e fazer um teste sorológico para confirmar se a vacina é eficaz. Esse teste é feito somente em laboratórios especializados, que o veterinário de cada um pode orientar melhor. Com todos esses papéis em mãos (passaporte, atestado veterinário e atestado antirrábico) é necessário ir ao ministério da agricultura e pedir uma autorização para viajar com o animal. Eu fiz tudo isso na Espanha”, explica Isabela.

Alice preparada para encarar 11 horas de viagem de avião

Ela orienta à todas as pessoas que desejam incluir seus animais de estimação na viagem optarem por voos noturnos e se informar sobre a quantidade de animais permitido em cada aeronave.

“A companhia Ibéria aceita animais na cabine se eles pesarem (junto com a casinha) até 8kg, como a nossa tem quase 8kg, ela foi junto com a gente na cabine. Quando o vôo é noturno, melhor ainda, porque ela dorme quase o tempo inteiro, então fica a dica: se puderem peguem vôos noturnos! Um detalhe importante, e acredito que se aplique a todas as companhias aéreas, só é permitido um animal por cabine no vôo, por isso sempre cheque se há disponibilidade para o seu pet antes de comprar qualquer passagem”, ensina ela.

E aí, vai incluir seu cachorro ou gato na próxima viagem de avião? Deixe suas dúvidas, sugestões e experiências nos comentários 😉

 

Juliana Fernanda

Juliana Fernanda dos Santos Ferreira, jornalista pós-graduada em Comunicação Corporativa. Adoro novidades com conteúdo. Passear em família é a melhor programação, afinal todo lugar tem algo a se aproveitar e em boa companhia tudo fica ainda melhor.

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